Apenas Uma Vez

Uma das coisas mais legais sobre morar em Melbourne é que mais dia, menos dia, todos os shows acabam passando por aqui. Perdi as contas de quantos artistas eu já vi ao vivo, e então ano passado comecei a dar prioridade aos musicais, que é algo que eu sempre amei. Graças ao meu namorado, o primeiro que eu assisti foi o Wicked. Uma vez só não foi o bastante, então fui de novo com a minha mãe, que também se apaixonou perdidamente, claro. E aí bem quando Os Miseráveis estava prestes a acabar, tive a honra de assistir a uma das performances, e pude ver uma das minhas histórias preferidas de todos os tempos ganhar vida no palco. Ainda assim, apesar de todas essas maravilhas, semana passada fui ao musical que agora sei que será para sempre o meu favorito: Once.

As canções originais de Glen Hansard e Markéta Irglová para o filme que gerou o musical, Apenas Uma Vez, têm um lugar especial no meu coração desde a primeira vez que eu o assisti, logo que foi lançado, quando eu tinha quinze anos. Ainda me recordo da noite que fui ver ele no cinema com a minha mãe e uma amiga dela. Pegamos a última sessão e a lembro de andar pelo estacionamento vazio do shopping com os olhos embaçados de tanto sentir depois do filme acabar. Naquela época eu nem sabia ainda que as canções se tornariam a epítome do tipo de música que eu passaria a amar. A trilha sonora com pegada folk é, desde então, a minha preferida de todos os tempos. As estrelas do filme namoraram na vida real por algum tempo, e do relacionamento nasceu mais duas obras-primas, os CDs de The Swell Season. Se você ainda os não escutou, está desperdiçando sua vida.

Fiquei arrasada quando o Glen Hansard veio fazer um show aqui em Melbourne ano passado porque só fui descobrir quando os ingressos já estavam esgotados. O cara é um gênio e eu adoraria ter visto ele ao vivo, mas por alguma razão eu não estava tão empolgada pra ver o musical Once, baseado na obra original dele. Acabei indo só na última semana da temporada aqui em Melbourne, e isso acabou sendo algo bom, porque fiquei tão deslumbrada com a peça que eu teria ido assistí-la mais umas dez vezes se desse.

O musical é muito fiel ao filme, exceto por ter uma pitada maior de humor. Admito: no começo eu estava achando que eles tinham errado a mão tentando fazer a história ficar mais engraçada, porque todo mundo que viu o filme sabe que a força dele está em sua sutileza. Mas ao longo da noite acabei apreciando o rumo em que eles levaram a história. É que tem tanta vida jorrando do palco – na forma de risadas, danças e emoções profundas – que não dá pra não se sentir parte da performance. Ao contrário de outros musicais, não há uma orquestra; todas as músicas são tocadas no palco pelos membros do elenco, e isso aumenta a ilusão de que a platéia é parte da apresentação. É como se fosse o show de uma banda e um musical de uma vez só. Incrível.

Se as músicas já eram mega emocionantes gravadas, não há palavras para descrever o quão impactante elas são pessoalmente. E essa sensação começa desde antes do musical; se você chega lá cedo o bastante, pode subir no palco, que é montado como se fosse um pub irlandês. Todos os membros do elenco estão ali, com exceção dos dois protagonistas, passando o som com canções tradicionais, que te fazem sorrir e dançar enquanto você compra bebidas no bar do palco, que funciona como qualquer outro. Curtindo de perto a música boa tudo em que eu conseguia pensar era que só aquilo ali já valia o preço do ingresso.

A temporada em Melbourne acabou no último domingo, infelizmente, mas se você tiver alguma oportunidade de ver este musical, não pense; vá! Você não vai se arrepender de jeito nenhum. Fiquei querendo muito ter visto uma performance do elenco original da Broadway, porque a Cristin Milioti fazia o papel principal. Fiquei apaixonada por ela ao acompanhar “A to Z”, a série que ela fez recentemente, cancelada cedo demais. Assim que eu comecei a imaginar que era a personagem da Cristin que eu estava assistindo naquele palco, o humor passou a fazer sentido. O legado dela e de todos que trabalharam no musical ainda é notável mesmo anos depois. Se eu pudesse ser qualquer coisa na vida, eu costumava dizer que seria atriz de musicais. Depois de ter visto este, consertei meu desejo: se eu pudesse ser qualquer coisa na vida, eu seria qualquer pessoa do elenco de Once mesmo que fosse apenas uma vez.

Para ver um pouquinho mais sobre o musical, os ensaios e a produção australiana, assista os vídeos abaixo.

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(Fotos: Carolina Martins)

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